sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O DEUS GREGO - parte I

Lucila estava de pijama em casa, num sábado a noite muito frio, quando Juliana ligou:

Lucila – Oi, Ju!!
Ju – Oi, Luci!! Eu sei que você deve estar de pijama pensando em ir dormir. Mas pode ir tomar um banho, ficar linda de morrer, porque você vai no aniversário do Tinho comigo.
Lucila – Tinho, seu primo?
Ju – Sim, meu primo que é apaixonado por você!!!
Lucila – Sim, seu primo que é apaixonado por mim, mas tem uma namorada há anos!! Já chega todas as furadas que eu tenho entrado né Ju? Cara com namorada não rola!
Ju – Este mesmo. Luci, você não precisa ficar com ele... você só tem que ir comigo... ele reclama que nunca vou nos aniversários dele... Vamos fazer assim: a gente vai lá, dá os parabéns pra ele e se estiver ruim a gente vai pra outro lugar, tá?

Lucila não estava com a menor vontade de sair de casa naquele dia. Ainda mais no aniversário do Tinho. Não que ele fosse feio ou mala... pelo contrário, era super charmoso... mas sabia que não ia dar em nada porque ele tinha namorada... Mas por outro lado não poderia deixar a amiga ir sozinha. Amiga que é amiga tem que ir nesses troços de família com a outra... mesmo que fosse sábado à noite, estivesse fazendo 5ºC e estivesse morrendo de sono. Além do que Luci tinha uma antiga filosofia de vida: “se não quiser que eu vá nem me convide, pois se convidar eu vou!”

Lucila – Ok, Ju. Passe pra me pegar daqui uma hora que eu vou com você. Mas lembrando desde já que é só uma passadinha hein?
Ju – Ok, Luci, obrigadinha, amiga!!! Vamos embora a hora que você quiser!!!

Reuniu forças do além e se arrumou. E lá foram as duas no aniversário do Tinho. Chegando no lugar, que Lucila tinha achado super estranho no início, na verdade era uma mega festa, 5 aniversários, num lugar que foi alugado só pra festa, com malabares, pirofagia, dj e drinks exóticos liberados a noite toda.

Entraram, encontraram Tinho, que recebeu os parabéns das duas e as deixou super à vontade na festa. Como bom mulherengo, fez alguns comentários no ouvido de Lucila. Mas a namorada dele apareceu e ele logo se comportou.

Lucila tinha que reconhecer que a festa estava boa. 80% dos convidados eram homens, só gente bonita, boa música e caipirinha liberada...

Juliana tratou de se arranjar logo. Conheceu um amigo de Tinho, um professor de academia com cabelo tónhónhóim... Enquanto os dois conversavam, Lucila reparava nos outros homens. E de longe, viu um deus grego da beleza... maravilhoso!!! Devia ter um metro e oitenta, cabelo castanho claro meio compridinho, sarado (mesmo por cima da blusa, Lucila reparou que ele era sarado), olhos verdes, super style, com um casaco azul pimbíssimo!!!

Lucila admirava aquele deus grego no meio dos humanos comuns, era de longe o cara mais bonito da festa... nem se atreveu a imaginar uma aproximação. Lucila sabia que o cara era muita areia pro caminhãozinho dela.

Então reparou que Ju já tinha ficado com o Tonhonhóim, que convidou as duas pra sentarem-se numa mesa.

Lucila foi, pois não conhecia ninguém e ia pegar mal ficar sozinha no bar no meio de tanto homem. A essa altura já sabia que Ju não iria embora quando ela quisesse como foi inicialmente combinado, mas amiga que é amiga agüenta a balada até o fim quando a outra se dá bem, então Luci começou a pensar numa forma de se divertir.

Na mesa que Tonhonhóim quis sentar estava a tia dele, uma senhora de uns 60 anos, que pesava uns 130 quilos, com um cabelo vermelho armado... enfim, uma figura. Inacreditável o cara levar a tia numa festa daquelas, mas enfim, era uma companhia pra Lucila, que não imaginava ser esse o divertimento da noite, mas se sentou para pensar em algo melhor.

A velha até que era divertida, Lucila deu altas risadas com ela enquanto Tonhonhóim quase engolia Juliana do outro lado da mesa. Lucila e a tia do cara tinham que gritar pra conversar, pois tinha um mala com um megafone que não parava de falar bem perto delas...
(continua)

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